Estudos e projetos ambientais na área de recursos hídricos.

Reposição de mata nativa pode dar lucro, dizem pesquisadores da USP

O ecólogo Sérgius Gandolfi caminha na floresta e para diante de um jequitibá de 15 metros de altura. São pouco mais de 16h, mas já começa a escurecer sob aquele trecho de mata atlântica em Iracemápolis, interior paulista.

Gandolfi aponta o chão, onde brotam “filhas” do jequitibá e de outras árvores. “Isso mostra que a floresta está funcionando”, diz.

O que é uma grande notícia: afinal, há apenas 23 anos, aquilo que hoje é mata fechada era um canavial. A mata ali é resultado de replantio numa área de preservação permanente (APP).

Essa e outras experiências de reposição de mata nativa em áreas devastadas estão no foco de uma polêmica nacional nesta semana.

Hoje, em Brasília, o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) deve apresentar a uma comissão especial da Câmara a versão final de seu projeto de reforma no Código Florestal, a lei de 1965 que protege as florestas do país.

O projeto de Rebelo visa adequar a maior parte dos agricultores do Brasil à lei.

Para isso, deve reduzir a proteção às APPs (margens de rio, encostas, várzeas e topos de morro) e dispensar cerca de 90% dos proprietários de terra de replantar florestas na reserva legal -fração de uma propriedade que deve ser mantida como mata.

A anistia a desmatamentos já feitos na reserva legal é uma antiga bandeira dos ruralistas. “É um custo com o qual nós não podemos arcar e tem eficiência questionável do ponto de vista biológico”, argumenta o pecuarista Assuero Veronez, da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

REFAZENDA

Sérgius Gandolfi e seus colegas do Lerf (Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal) da USP de Piracicaba querem provar o contrário.

Segundo eles, é possível repor ao menos parte dos 43 milhões de hectares de reserva legal estipulados pelo código atual. E dá até para fazer dinheiro com isso.

A ideia está sendo testada em uma área de 300 hectares da fazenda Guariroba, em Campinas. Ali, eles plantaram há quatro anos uma floresta que, esperam os cientistas, será a primeira reserva legal para proteção da biodiversidade e produção de madeira da mata atlântica.

O Lerf criou um método que permite “recriar florestas tropicais com alta diversidade em qualquer lugar”.
O truque: plantar pelo menos 80 espécies, numa ordem tal que árvores nobres, como jequitibás e cedros, possam crescer à sombra de plantas de desenvolvimento rápido, como quaresmeiras.

Não é barato. Implantar uma reserva custa de R$ 10 mil a R$ 12 mil por hectare em dois anos. A cana rende R$ 500 por hectare/ano.

“Você precisa de 20 anos da renda da cana para poder pagar um hectare de floresta”, diz Giselda Durigan, pesquisadora do Instituto Florestal e uma das maiores autoridades do país em restauração. Ela é cética em relação à reposição de reserva legal.

MERCADO FUTURO

Os pesquisadores do Lerf apostam em tirar essa diferença transformando as reservas legais em polos produtores de madeira.

Após dez anos, seria possível cortar as árvores pioneiras para fazer lenha e carvão vegetal. Após 20 a 30 anos, viria a exploração das árvores nobres. Nesse período, o produtor que refizesse a mata poderia ganhar até R$ 500 por hectare/ano com a produção de madeira.

“É duas vezes mais do que a renda de uma pastagem”, diz Ricardo Rodrigues, coordenador do Lerf.

No quadragésimo ano, com as árvores nobres da propriedade já maduras, a renda subiria para quase R$ 2.000 por ano no pior cenário, e R$ 3.500 no melhor.

“A reserva legal pode ser um grande negócio”, diz Gandolfi. Ele lembra que os Estados do Sudeste hoje são os maiores consumidores de madeira nativa, que vem quase toda da Amazônia. Produzir tal madeira em São Paulo valeria a pena.

E nem é preciso brigar com lavouras rentáveis como a cana e a laranja. Segundo o grupo, há na mata atlântica 7 milhões de hectares de áreas de baixa aptidão agrícola que poderiam ser aproveitadas.

“Nas áreas mais agricultáveis do Estado de São Paulo você tem aproveitamento de 70% da propriedade no máximo”, diz André Nave, do Lerf. “O resto são trechos de baixa aptidão, com reflorestamento de exóticas [plantas que não são nativas do país, como o eucalipto] ou áreas abandonadas, que poderiam voltar a ser reserva legal.”

Durigan compara a perspectiva de lucrar com a reserva legal à venda de indulgências pela Igreja Católica: pague agora, receba no Além. “No livro está tudo muito bonitinho, mas não sei se na prática funcionaria. Depende de uma série de providências, depende do mercado.”

Produtor não deve arcar com custo de reserva legal, diz especialista

Referência em restauração de matas nativas no Brasil, Giselda Durigan, pesquisadora do Instituto Florestal em Assis (noroeste paulista), diz que tem evitado se manifestar sobre a proposta de Aldo Rebelo para o Código Florestal por achar que a discussão tomou um rumo excessivamente “ideológico”.

Segundo ela, o relatório de Rebelo tem problemas, como não definir direito como será feita a regularização ambiental — e liberar os fazendeiros de se adequarem à lei enquanto ela não acontece.

Ela diz concordar com o relator, porém, num ponto: não dá para criminalizar os agricultores. “Incomoda essa visão do proprietário rural como bandido”, diz. “Hoje no Brasil é feio ser dono de terra, é feio ter patrimônio. Enquanto isso permanecer, a discussão não vai avançar.”

Durigan diz que pesquisou as legislações de proteção florestal de outros países e que não encontrou nenhuma parecida com a brasileira. “Ninguém obriga o proprietário a restaurar floresta sem ajuda do governo e sem receber nada por isso. Mexe comigo essa coisa de que o proprietário rural é responsável por conservar a natureza.”

Segundo ela, se os benefícios da conservação e da restauração são coletivos — um ambiente mais saudável –, é justo que o custo de repor as florestas seja compartilhado pela sociedade.

“Em todos os países a cujas leis e políticas tive acesso, o governo arca com pelo menos parte dos custos de recuperação florestal em propriedades privadas, quando não com o total. E o proprietário ainda recebe por serviços ambientais.”

O pagamento ao proprietário por serviços ambientais é uma das provisões do projeto de Rebelo e uma bandeira dos ruralistas. A ideia é compensar os produtores por deixarem de usar parte de suas áreas, cuja floresta presta “serviços” como a proteção de fontes d’água, a ciclagem de nutrientes e a fixação de carbono.

SUBSÍDIOS

Paulo Barreto, pesquisador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), diz que é preciso “algum nível de investimento público” para recompor o passivo ambiental, mas afirma que o ônus deve, sim, ser do proprietário.

“Não é que os rios não estejam assoreando e que os morros não estejam caindo na cabeça de ninguém”, afirma. “Anistia é inaceitável, e anistia com pagamento por serviço ambiental é pior ainda.”

Há um exemplo internacional: a Lei de Espécies Ameaçadas dos EUA, que obriga o proprietário a conservar, às próprias expensas, florestas em propriedades que abrigarem fauna ou flora em extinção.

Para Barreto, a conta da recuperação tem de estar embutida nos subsídios que os agricultures recebem do governo.

Projeto de mudança no Código Florestal terá nova versão

O controverso projeto de mudança do Código Florestal proposto pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) terá uma nova versão que deve aterrissar na Câmara em, no máximo, quinze dias. “Estou na tarefa de receber sugestões e apreciá-las. Vou procurar melhorar”, disse Rebelo anteontem (22/06), em São Paulo. “Passei a segunda-feira com técnicos do Ministério do Meio Ambiente discutindo artigo por artigo para corrigir os problemas”.

“Quero tornar a proteção ambiental mais rigorosa”, continuou, emendando com “não é nossa intenção privilegiar crimes ambientais.” Rebelo falou durante o Madeira 2010, congresso que discute o desenvolvimento sustentável da indústria que tem base florestal.

Ele foi defendendo os pontos polêmicos do projeto. Sobre o risco que sua proposta de mudança no Código Florestal provoca nas metas brasileiras de redução de emissões apresentadas em dezembro, em Copenhague, disse “acho que nosso projeto é um avanço.” Nos próximos cinco anos, afirmou, a proposta é uma moratória no desmatamento para agricultura e pecuária. Rebelo não disse o que acontece depois que o prazo terminar. “Agora, se a meta que fizeram levou em conta recompor os ativos florestais que tínhamos, este é um compromisso que não devia ser feito porque não temos como cumprir.”

Outro ponto polêmico, que permite que os Estados legislem sobre o tema, Rebelo afirmou “eles já legislam sobre florestas há muito tempo. É assim em Minas, no Paraná, no Piauí.”

Rebelo deixou clara sua irritação às críticas da ministra Izabella Teixeira, que acredita que sua proposta pode causar uma espécie de “guerra ambiental” entre os Estados, onde a barganha é a maior flexibilização nas regras. “Esta não é uma imagem inteligente”, reagiu Rebelo. “Vão dizer o quê? Vem aqui porque minha APP é menor?”, ironizou, referindo-se às Áreas de Preservação Permanente.

Pela manhã, a ministra do Meio Ambiente havia deixado claro o que acha do projeto de Rebelo. “Precisamos entender se queremos discutir passivos ambientais ou projetar nossa agricultura sustentável no futuro”, disse. E emendou:”É preciso dialogar com a bancada ruralista. Não é no grito que vamos conseguir algo.”

“Este projeto que Aldo apresentou é tão ruim que nem ele vai conseguir piorá-lo”, disse Mario Mantovani, diretor de mobilização da SOS Mata Atlântica. Segundo o ambientalista, só a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) conhecia o texto da primeira versão do projeto de Rebelo. “É bom que ele esteja aceitando contribuições e sugestões, mas o que vai sair daí, na prática, vamos ver.”

Fonte: Avicultura Industrial

Mais petróleo vaza no Golfo do México após novo incidente

Por Kristen Hays e Ayesha Rascoe

HOUSTON/WASHINGTON (Reuters) - Uma grande quantidade de petróleo continuava vazando da poço da BP no Golfo do México nesta quarta-feira, após a suspensão dos trabalhos para conter o pior derramamento de petróleo da história dos Estados Unidos devido a um acidente com um robô submarino.

Embora a gigante de energia tenha tido dificuldade para retomar suas operações de coleta de petróleo, o governo norte-americano afirmou que irá impor uma proibição mais flexível sobre a exploração de petróleo em águas profundas, um dia após a primeira moratória ter sido anulada por um juiz federal que a considerou muito genérica.

O secretário do Interior dos EUA, Ken Salazar, também afirmou que investigações preliminares mostraram que houve “conduta negligente” nos dias anteriores à explosão de 20 de abril no poço de petróleo da BP no Golfo do México.

Outro problema para a companhia britânica é a ameaça de processo de um investidor, o fundo de pensões do Estado de Nova York, devido à queda no preço das ações da BP desde que a crise começou há mais de dois meses.

Após conseguir retirar um volume recorde de petróleo do poço onde ocorreu a explosão na terça-feira, os trabalhos para conter o vazamento foram suspensos após um robô submarino se chocar contra o sistema de contenção que está levando o petróleo vazado a um navio na superfície.

O Almirante da Guarda Costeira dos EUA, Thad Allen, porta-voz do governo do presidente Barack Obama para assuntos relacionados ao vazamento, disse a jornalistas que o sistema de contenção pode voltar a funcionar ainda nesta quarta-feira, após passar por testes de segurança.

Ele afirmou que o fluxo de petróleo saindo do poço está sendo vigiado e parte do óleo está sendo queimado na superfície.

O sistema de contenção foi instalado em 3 de junho e chegou a coletar 16.600 barris de petróleo na terça-feira, segundo informou a BP. Um sistema de queima de petróleo que conteve 10.500 barris de petróleo continua operando normalmente. Uma equipe de cientistas norte-americanos estima que o vazamento esteja jogando entre 35 mil e 60 mil barris de petróleo no mar por dia.

A mancha de petróleo sobre o Golfo do México causou o fechamento de diversos locais de pesca, além de ter matado centenas de milhares de tartarugas e pássaros e dezenas de golfinhos. O petróleo também atingiu a costa de quatro Estados norte-americanos.

O desastre levou o governo Obama a determinar a proibição da exploração de petróleo em águas profundas por seis meses, enquanto busca melhorar as medidas de segurança de outras plataformas do Golfo do México.

Salazar afirmou durante audiência no Congresso dos EUA, em Washington, que irá impor a proibição novamente, após ter sido anulada por um juiz por ser muito abrangente, desta vez incluindo mais detalhes. Salazar sugeriu que a nova versão pode permitir a exploração em áreas de águas profundas de baixo risco.

(Reportagem adicional de Tom Doggett em Washington e Chris Baltimore em Houston)

Apagão Ambiental: seria cômico, não fosse trágico

Deputado Aldo Rebelo superou seu próprio discurso anti-ambiental. Quem achava que se tratava apenas de jogo de cena quebrou a cara. Em sessão concorrida da Comissão Especial do Código Florestal desta terça-feira, 08 de junho, apenas três dias após o Dia Internacional do Meio Ambiente, o deputado apresentou e leu parte do seu canhestro relatório. Em leitura enfadonha e desqualificando de forma autoritária as organizações e inclusive os técnicos da sociedade civil contrários ao seu posicionamento o Deputado Aldo ofereceu seu tão esperado relatório para praticamente revogar o Código Florestal brasileiro.

Citando de Malthus, a Luiz Gonzaga, o Deputado Aldo demonstrou grande sensibilidade para as teses mais arcaicas do ruralismo do século passado. Comprovou também que não tem nenhuma responsabilidade para com o patrimônio público (ambiental), o Estado de Direito e a Função Social da Terra, teses consagradas na nossa Constituição Federal e caras aos comunistas (neste caso- ex-comunista). Conseguiu (pasmem!) apresentar um relatório muito mais condescendente com os infratores ambientais do que o apresentado pelo Deputado Moacir Micheletto, há mais de 10 anos atrás, e que lhe rendeu o apelido de deputado Moto-serra cunhado por organizações não Governamentais participantes da Campanha SOS Florestas.

Sem maiores delongas, os aspectos mais graves da proposta de Código Florestal TOTAL-Flex de Aldo Rebelo são:

1)    Anistia geral e irrestrita a todo desmatamento ilegal ocorrido até julho de 2008 cancelando multas, suspendendo embargos e permitindo que ocupações ilegais recentes em Área de Preservação Permanente e Reserva Legal sejam beneficiadas com a manutenção das atividades até que o governo elabora plano de recuperação ambiental.

2)    Inverte de forma inconstitucional a responsabilidade pela elaboração de planos de recuperação de áreas objeto de dano ambiental decorrente de crime ou infração atribuindo obrigações ao poder público para elaborar os Planos de Recuperação Ambiental.

3)    Permite que os Estados possam reduzir em até 50% as dimensões das áreas de preservação permanente.

4)    Revoga a exigência de Reserva legal para as propriedades com até quatro módulos rurais (ex.: 600 hectares na Amazônia), permitindo com isso mais desmatamentos em todos os biomas em todo País.

5)    Concede mais 35 anos para a recomposição de RL (pelo Estado) quando esta for exigível. Os trinta anos começaram a contar em 2000, com a MP 2166, mas a proposta é de renovar esse prazo.

6)    Abre a possibilidade, sem qualquer critério técnico previamente estabelecido, aos estados e até mesmo municípios de declararem empreendimentos como de utilidade pública para fins de desmatamento em qualquer categoria de área de preservação permanente.

7)    Suspende todos os termos de compromissos e de ajustamento de conduta para cumprimento do código florestal já assinados entre produtores rurais e órgãos ambientais em todos os biomas do País.

Além do que foi acima descrito o Deputado Aldo ainda propõe em seu relatório:

A) Em rio com até 5 metros de largura (rios mais vulneráveis a poluição e erosão) a APP passa a ter limite máximo de 5 metros de APP (hoje essa margem é de 30 metros de largura). Com isso abre a possibilidade para novos desmatamentos.

B) A definição de APP em áreas de várzea passa a ser definida pelos estados pois deixa de ter um parâmetro geral federal.

C) No caso de ocupação de área com vegetação nativa entre 25-45° de declividade, que hoje é limitada, a competência para autorizar uso é retirada do órgão ambiental e é atribuída a um órgão de pesquisa agropecuária (não define qual).

D) Formações campestres amazônicas (campinarana, lavrados) passam a ter Reserva legal de 20% (até então aplicava-se a elas o percentual de 35% como cerrado).

E) Permite o cômputo total da APP na reserva legal, mesmo que estejam desmatadas (em processo de regeneração).

F) ZEE pode regularizar desmatamentos ilegais ocorridos até julho de 2008.

G) Permite recomposição de RL com espécies exóticas a critério do órgão estadual (deixa de exigir parâmetro do CONAMA).

H) Desonera empreendimento de interesse público em área rural no entorno de lagoa de ter Reserva Legal, sem definir o que sejam empreendimentos de interesse público (por exemplo condomínios privados podem ser declarados por prefeituras como de interesse público).

I) Permite a compensação financeira para regularização de reserva legal (a lógica do desmate, ocupe, lucre e pague).

J) A averbação de reserva legal deixa de ser obrigatória até que o poder público elabore o PRA.

k) Propõe a recomposição voluntária de Reserva Legal até que o Poder Público apresente o PRA.

L) Permite a consolidação de ocupação em áreas urbanas de risco (margem de rios, topos de morros e áreas com declividade).

 Em seu discurso rococônico com citações desconexas que viajam forçadamente de Epicuro a Guimarães Rosa, o Deputado Aldo deixou claro e sem constrangimento que não entende nada e não tem nenhuma responsabilidade com o equilíbrio ambiental no Brasil. Defende o princípio da arrogância humana, que se coloca acima de tudo e de todas as demais espécies e que com sua razão tudo pode. Para ele o Brasil é sobretudo o celeiro do mundo e todos os que não se rendem a essa visão míope e parcial das realidade do país são por ele taxados de inimigos da nação. Infelizmente esse é o cenário que teremos que enfrentar no Congresso Nacional nos próximos dias.

Por isso amigos acompanhem, mandem mensagens e liguem para os seus deputados, e participem das Campanhas SOS Florestas: http://www.sosflorestas.org.br/ e Exterminadores do Futuro http://www.sosmatatlantica.org.br/.

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Artigo escrito em 08 de junho de 2010 por André Lima, advogado, formado pela Universidade de São Paulo (1994), mestre em Gestão e Política Ambiental pela UnB, Coordenador de Políticas Públicas do IPAM e Diretor de Assuntos Parlamentares do Instituto O Direito por um Planeta Verde. Foi Coordenador Jurídico da SOS Mata Atlântica entre 1994 e 1997, Coordenador de Política e Direito Socioambiental do ISA entre 1997 e 2007 e Diretor de Políticas de Controle dos Desmatamentos no Ministério de Meio Ambiente entre 2007 e 2008.

Pantanal foi mais devastado que a Amazônia e Corumbá lidera destruição

Pela primeira vez o Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgou números oficiais sobre o desmatamento no Pantanal e os dados mostram que o bioma está mais vulnerável à devastação do que a Amazônia. Ontem (7) o MMA apontou a região pantaneira, que abrange os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, como o bioma mais devastado no Brasil, logo após o cerrado.

As áreas alagáveis de MS e MT enfrentaram devastação proporcionalmente maior do que a Amazônia, segundo o estudo. Somente no período entre 2002 e 2008, enquanto a região amazônica foi foco das atenções governamentais, o cerrado e o Pantanal perderam mais de 89 mil Km². A área equivale a mais de 15 vezes a área do Distrito Federal.

Os estudos utilizaram o monitoramento por imagens de satélite da planície pantaneira, em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul. Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, até o final do governo Lula a intenção é divulgar dados sobre a devastação de outros biomas brasileiros, como os pampas gaúchos e a Mata Atlântica, em setembro. “Até o fim deste governo, apresentaremos os dados de desmatamento em todos os biomas, atualizados até 2009″.

MS devastou mais que MT

Segundo o MMA, as principais causas do desmatamento no Pantanal são o fornecimento de carvão vegetal para o parque siderúrgico corumbaense e a abertura de novas áreas para pastagens. Mais de 15% da planície pantaneira já foram devastados.

Mato Grosso do Sul destruiu mais do que o estado de Mato Grosso. A cidade campeã na devastação foi Corumbá (MS), que responde por 32% de todas as perdas de vegetação. Em segundo lugar, fica Aquidauana (MS) e somente em terceiro vem Cáceres (MT), cidade mato-grossense.

Relatório propõe reduzir proteção às florestas

O relatório apresentado nesta terça (8) pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) sobre mudanças no Código Florestal propõe que propriedades rurais com área inferior a quatro módulos fiscais (no caso da Amazônia, 400 hectares) sejam dispensadas de reserva legal.

A reserva legal é a porção de floresta de cada imóvel rural que deve ser poupada do corte raso. Parlamentares ruralistas se opõem a ela, por considerarem que ela tira espaço da produção agropecuária.

A proposta mantém o limite de reserva legal em 80% para as áreas de floresta na Amazônia.

A proposta de Aldo para alterar a lei que protege as florestas do Brasil também inclui reduzir as áreas de preservação permamente (matas ciliares) de 30 metros para 15 metros em rios com menos de cinco metros de largura e exclui os topos de morro dessa categoria de proteção.

Cientistas dizem que as áreas de preservação permanente, ou APPs, são cruciais para a manutenção da biodiversidade e de serviços ambientais, e que tentar reduzi-las é um retrocesso.

Fonte: Folha de São Paulo

Código Ambiental perimitirá compensações

Relatório do novo código ambiental será votado nesta terça-feira, dia 8
O novo Código Ambiental recebeu ontem novos ajustes e deverá ser apresentado, no próximo dia 8, na Comissão Especial para Reforma do Código Florestal pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP).

Entre as propostas estão que as APPs (áreas de preservação permanente) e as de matas ciliares serão contadas para compor a reserva legal, informou o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR).

O novo código quer dar diretrizes e um conjunto de normas que possam ser cumpridas, ao contrário do atual, que, desde a década de 60, incorporou 16 mil itens e traz uma grande “insegurança jurídica”, diz Micheletto.

O projeto de lei, com 35 páginas e 55 artigos, vai definir normas não só para produtores, mas contempla também as responsabilidades no meio urbano.

O plano diretor dos municípios deve se adaptar à nova legislação ambiental. Ou seja, o crescimento das cidades deve respeitar o percentual de preservação da região.

As propostas do novo código são de isenção de reserva legal para propriedades com até quatro módulos -no caso do centro-sul seriam 72 hectares. Já as áreas de preservação poderão ser repostas com plantas exóticas.

O novo código propõe, ainda, a formação coletiva de reserva dentro do mesmo bioma, segundo Micheletto.

Na avaliação do deputado, o produtor não deve sofrer sozinho o ônus da preservação e que, portanto, será proposta a criação de um fundo com participações federal, estadual e municipal.

Um dos objetivos do código é a desburocratização. As áreas de reserva legal continuam em 80% na Amazônia, 35% no cerrado e 20% em outras regiões, mas os Estados vão ter autonomia para definir a política ambiental conforme o zoneamento ecológico e econômico da região.

O código definirá ainda a criação de um cadastramento ambiental dos produtores, que terão responsabilidades civil, penal e administrativa.

 

Desinteresse

 O plantio da nova safra de trigo está atrasado no Rio Grande do Sul. As causas são o tempo úmido e o desânimo do produtor, segundo o Cepea.

 

Corte Uma notícia que pode ser boa para o Brasil: a Rússia informou que vai cortar 25% das importações de frango dos Estados Unidos. Isso significa que os russos vão ter de buscar 150 mil toneladas do produto em outros mercados.

 

Consumo

 Os russos consomem 3,5 milhões de toneladas de carne de frango por ano, das quais os norte-americanos forneciam 20%. No início do ano, devido ao excesso de cloro na lavagem do frango, os russos suspenderam as compras dos EUA.

 

Recuo

 O início da colheita em algumas regiões do país fez o preço do feijão cair no mercado interno. Ontem, a saca de 60 quilos do tipo carioquinha recuou para até R$ 110 no Paraná. Na média, o valor da saca ficou em R$ 131,30, com baixa de 3,2%.

 

Sonho

O Japão é o maior importador de carne suína do mundo, e o Brasil inicia uma nova rodada de negociações por lá. As reuniões têm sido muito boas, embora difíceis. Mesmo assim, a indústria brasileira espera concluir o processo de abertura de mercado ainda em 2010.

 

Muito pouco

 O Brasil é o terceiro maior exportador agrícola do mundo e o Japão, o terceiro maior importador. A participação do Brasil nas importações do Japão, no entanto, são de apenas 3%.

Rotação do solo pode amenizar danos ambientais causados pelo agronegócio na Amazônia

Modelo sustentável de cultivo reduz impactos da ocupação humana desordenada e da exploração predatória da região

Por Natalia do Vale

Sem dúvida toda a exuberância da Floresta Amazônica chama a atenção logo ao primeiro olhar. São 3.575.706,4 quilômetros quadrados de área e mais de 13 milhões de habitantes em uma região conhecida por sua riqueza cultural e biodiversidade. Ocupando cerca de 42% do território nacional, a área possui nada menos que um terço de todas as espécies vivas do planeta.

No Rio Amazonas e em seus mais de mil afluentes, estima-se que haja quinze vezes mais peixes que em todo o continente europeu. Apenas 1 hectare da floresta pode trazer até 300 tipos de árvore, segundo dados do IBAMA- Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais. Só para se ter uma ideia, a floresta temperada dos Estados Unidos possui 13% do número de espécies de árvores da Amazônia.

Porém, tanta biodiversidade esconde uma contradição: embora seja uma das maiores e mais ricas florestas do mundo, a Amazônia tem um solo pobre e pouco fértil, contendo apenas uma fina camada de nutrientes. O que parece um detalhe perto de da exuberância do lugar, se transforma em um impasse quando o assunto é a exploração da terra e a produção agrícola na região.

Atraídos pela promessa de enriquecimento no trabalho em madeireiras, garimpos, pecuária e lavouras de diversas culturas, migrantes, imigrantes e moradores da região chegam à  floresta com a missão de explorar a terra.

Como o solo é pobre e frágil, a ocupação desordenada da região promovida pelas frentes de trabalho ocorridas desde o ciclo da borracha, associada ao uso extensivo da terra, colocam em risco todo o ecossistema  comprometendo a vida de milhões de espécies e até mesmo dos moradores, que podem ficar sem alimento e água caso a exploração predatória continue.

O professor do departamento da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo- FEA, Guilherme Leite Dias explica que toda grande elevação na densidade demográfica de uma região resulta na necessidade de criação de meios de produção para absorver a nova demanda de mão de obra, o que leva a exploração desordenada e predatória do local.

No caso da Amazônia, segundo ele, a situação é um pouco mais precária porque a quantidade de mão de obra que vem de fora é alta e nem sempre qualificada,  levando a uma maior procura por atividades que exploram a terra e os recursos naturais: “É uma ocupação sem consciência. O uso da terra e dos recursos naturais não é previamente pensado para evitar prejuízos ambientais. Madeireiras, garimpos e principalmente pecuaristas devastam a região sem nenhuma cautela”, diz o professor. “A ocupação desordenada sem dúvida traz graves problemas ambientais, porém, as práticas agrícolas e agropecuárias usadas por estas pessoas também agridem a floresta de modo irreversível. É preciso pensar em um meio de vida sustentável para salvar a região”, continua.

Para Guilherme, a alternativa mais apropriada para reverter parte deste quadro é a implantação de um sistema de cultivo sustentável baseado na rotação do solo para evitar seu empobrecimento acelerado. A rotação de culturas consiste em alternar, anualmente, espécies vegetais, numa mesma área agrícola. As vantagens da rotação de culturas são inúmeras, segundo o professor.

Além de proporcionar a produção diversificada de alimentos e outros produtos agrícolas, se adotada e conduzida de modo adequado e por um período suficientemente longo, essa prática melhora as características físicas, químicas e biológicas do solo; auxilia no controle de plantas daninhas, doenças e pragas; repõe matéria orgânica e protege o solo da ação dos agentes climáticos, amenizando os efeitos da produção agropecuária sobre o meio ambiente como um todo.

Para a obtenção de máxima eficiência na produção, segundo dados fornecidos pela EMBRAPA- Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, o planejamento da rotação de culturas deve considerar, preferencialmente, espécies que produzam grandes quantidades de biomassa e não esgotem o solo com rapidez.

Nesse planejamento, é necessário que o agricultor utilize todas as tecnologias à sua disposição, entre as quais se destacam: técnicas específicas para controle de erosão; calagem, adubação; qualidade e tratamento de sementes, época e densidade de semeadura, cultivares adaptadas, controle de plantas daninhas, pragas e doenças: “tem que tratar o solo primeiro e depois escolher espécies que se adaptem a região para evitar prejuízos ecológicos e financeiros”, explica Guilherme.

Segundo o professor, a implantação do sistema sustentável pode recuperar parte do solo devastado da floresta em até 5 anos, porém, não pode ser aplicado em toda a região, já que existem áreas pouco exploráveis na floresta, o que demanda fiscalização de outros agentes que aceleram a devastação como o controle de entrada e saída de pessoas da região. Guilherme alerta para os riscos da não implantação do sistema e afirma que caso ela não aconteça rápido, a Amazônia poderá se transformar em um enorme campo devastado sem flores ou animais para contar história.

 

Conama reconhece interesse social na agricultura familiar em Áreas de Preservação Permanente (APPs)

Resolução reconhece como de interesse social, para fins de produção, algumas atividades desenvolvidas em Áreas de Preservação Permanente (APPs)

Mais de quatro milhões de propriedades de agricultores familiares e de povos e comunidades tradicionais serão beneficiadas com a Resolução aprovada hoje, em reunião extraordinária, pelo plenário do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A Resolução reconhece como de interesse social, para fins de produção, algumas atividades desenvolvidas em Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Entre as atividades reconhecidas estão o pastoreio extensivo tradicional em áreas de campos naturais; o cultivo de espécies lenhosas perenes e o cultivo em áreas de vazante. A decisão vale para atividades já consolidadas até 24 de julho de 2006, data da Lei 11 326, da agricultura familiar.

Segundo o diretor de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João de Deus, a Resolução aprovada trata unicamente do reconhecimento de algumas atividades como de interesse social. “Esse conhecimento vai permitir que o órgão ambiental responsável avalie a regularização de atividades já consolidadas até 22 de julho de 2006″.

João de Deus garantiu não haver, no texto da resolução, qualquer possibilidade de que haja novas supressões ou intervenções em APPs e que o objetivo é permitir apenas a regularização de algum tipo de cultura em algum tipo de APP. “Não serão em todas e, mesmo assim, somente naquelas onde possa ser comprovado que a cultura estava consolidada antes de julho de 2008″, explicou.

No texto aprovado, o conceito de pequeno agricultor familiar é o que está previsto na Lei 11.326. A norma considera-se agricultor familiar e empreendedor familiar rural aquele que pratica atividades no meio rural, atendendo, simultaneamente, aos seguintes requisitos: I – não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais; II – utilize predominantemente mão-de-obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; III- tenha renda familiar predominantemente originada de atividades econômicas vinculadas ao próprio estabelecimento ou empreendimento; IV – dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família.

A reunião foi dirigida pelo presidente interino do Conama e secretário-executivo do MMA, José Machado.

Texto de Suelene Gusmão, do MMA